Tendências e mudanças do mercado aumentam a necessidade de mais tecnologia; especialista indica os requisitos para atuar no setor

Tendências e mudanças do mercado aumentam a necessidade de mais tecnologia na área tributária | Divulgação
O estudo mais recente realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) revela que, em 34 anos desde a promulgação da Constituição, foram editadas em média 37 normas tributárias por dia, dentre cerca de 38.540 no total — apenas a nível federal. Consegue imaginar a dificuldade de atuar com todas essas regras e alterações sem auxílio da tecnologia?
Por muito tempo, os profissionais tributários precisaram fazer isso com poucas ferramentas disponíveis e muito trabalho manual. É de se admirar o esforço que isso exigiu. Contudo, felizmente, já existem meios mais práticos para lidar com a complexa legislação brasileira, e cada vez mais novidades despontam no horizonte da área.
Segundo a pesquisa Tax Transformation Trends da Deloitte, de 2023, o futuro será marcado pela utilização de equipes cada vez mais diversificadas e integradas com tecnologia. Dentre os líderes fiscais e financeiros entrevistados, 44% afirmam que, para os próximos três a cinco anos, o setor demandará profissionais capazes de apresentar insights estratégicos baseados em dados. Além disso, os próprios líderes estão mais envolvidos nas discussões sobre a adoção de tecnologias, principalmente quando se trata da modernização de planejamento de recursos empresariais (ERP) e a estratégia de dados corporativos.
Dessas necessidades e avanços nascem as TaxTechs: startups que usam a tecnologia como base para o trabalho na área fiscal e tributária. É o caso da Tax Strategy, que oferece uma plataforma para automatizar processos e rotinas fiscais de maneira intuitiva e disponível em nuvem. Vinícius Oliveira, DPO da empresa, indica que há diversos serviços de ponta que realizam essa transformação: “Conceitos como Inteligência Artificial, Machine Learning, Big Data, Computação em Nuvem, Low Code e Microsserviços são amplamente empregados na área de TI dessas empresas”.
Há, portanto, bastante espaço para quem busca entrar na área. Entretanto, existem competências que devem ser particularmente trabalhadas para atender às demandas atuais e as que estão por vir.
Como a revisão das regras é um aspecto próprio deste setor, os profissionais de TI precisam ter mais adaptabilidade. “Assim que uma normativa é publicada, todas ferramentas devem ser revisitadas para que os impactos gerados pela mudança sejam implementados. Por isso é essencial que os produtos desenvolvidos pelas TaxTechs sejam de fácil manutenção, garantindo que as atualizações possam ser lançadas no menor tempo possível”, explica Oliveira.
Há ainda outras questões que impactam profundamente nos bons resultados das startups, como escalabilidade, usabilidade e volume de dados. O primeiro caso é um dos principais objetivos das TaxTechs, especialmente diante da sazonalidade em certas rotinas tributárias. Isso porque, durante os períodos de entrega de determinadas obrigações, prevê-se um aumento significativo na demanda dos serviços, então ele precisa ser capaz de escalar facilmente.
“A usabilidade também é um grande desafio, pois a missão que exploramos é de converter o complexo sistema tributário em uma rotina amigável ao usuário. Nesse contexto, torna-se essencial envolver profissionais especializados em User Experience, Product Design, User Research, Design de Interface, entre outras áreas necessárias para compreender as necessidades e dificuldades dos clientes”, ressalta Vinícius.
O volume de dados também é impressionante: segundo o especialista, apenas um cliente é capaz de produzir, em um único mês, arquivos de texto com milhões de linhas que devem ser consideradas para o cálculo dos impostos. Entram em cena, então, tecnologias como Machine Learning, Big Data e armazenamento em nuvem, além do desenvolvimento de aplicações robustas capazes de converter os dados em informações de forma rápida e eficaz. Conceitos como Otimização de Algoritmos, Paralelização e Distribuição, Arquitetura de Microsserviços, entre outros, são usados neste processo.
Mas há uma preocupação que os profissionais não precisam ter: serem especialistas em tributação. Na verdade, eles trabalham em conjunto com esses experts, para garantir a assertividade, o desempenho e a legalidade dos serviços. É essa união que torna essas startups grandes aliadas para as empresas.
“As TaxTechs não apenas respondem às demandas do presente, mas antecipam as necessidades futuras. A complexidade do sistema tributário permite um ambiente propício para a aplicação de soluções inovadoras, e a reforma que vem se aproximando, com mudanças profundas nesse sistema, vai criar ainda mais oportunidades. As equipes de TI envolvidas são, portanto, agentes essenciais na transformação digital do setor tributário do país”, conclui Vinícius.













