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No cenário global de tecnologia, o Canadá tem se consolidado como um dos destinos mais promissores para empresas brasileiras de software. Em um webinar recente promovido pela ABES, especialistas e autoridades diplomáticas discutiram os caminhos para consolidar a presença do Brasil no mercado canadense, destacando especialmente o ecossistema vibrante da província do Quebec.

O evento contou com a abertura do Embaixador Fernando Coimbra, Cônsul-Geral do Brasil em Montreal, que sublinhou o patamar elevado da produção de software nacional. Segundo Coimbra, o Brasil combina uma base sólida de engenharia com alta capacidade de adaptação, destacando setores como FinTech, GovTech e Agritechs. O embaixador enfatizou que o papel do consulado é facilitar conexões e identificar oportunidades em províncias como Quebec e Nova Brunswick, que possuem ambientes de inovação altamente dinâmicos e focados em Inteligência Artificial.

Incentivos e Atratividade Regional

Ralf Cherry, da Investissement Québec, apresentou dados robustos sobre a região, que se posiciona como uma “ponte” entre a América do Norte e a Europa. Entre os grandes atrativos estão os incentivos fiscais como cobertura de um percentual dos salários da equipe em atividades de desenvolvimento de software ligadas a e-business e inovação. Além disso, o custo de vida acessível em cidades como Montreal e a disponibilidade de eletricidade 100% renovável tornam a região competitiva.

Priscila Silva, da Québec International, reforçou que a cidade de Québec é o segundo maior polo de TI da província, com forte demanda por soluções de cibersegurança e inteligência artificial, impulsionada pela presença de grandes seguradoras e instituições financeiras.

O desafio do “Capital Social”

A internacionalização, contudo, exige mais do que um bom produto. Raquel Boechat, CEO da Canada Start Hub, alertou para a necessidade de construir reputação e conexões. Para ela, o sucesso no Canadá depende da criação de vínculos de confiança e colaboração em longo prazo. “O canadense é fiel aos relacionamentos. Não se trata apenas de vender uma solução, mas de integrar o ecossistema”, explicou.

Essa visão foi corroborada por Marcelo Noronha, CEO da Mr. Turing. Sua empresa de IA cresceu exponencialmente (mais de 120% no último ano) após se estabelecer no Canadá e passar por processos de aceleração em instituições como a DMZ. Noronha destacou que, embora o desafio cultural e a barreira da língua existam, a visibilidade global proporcionada pelo selo canadense ajudou a estabelecer conexões com gigantes, como Google e Microsoft. 

Parceria em Pesquisa e Desenvolvimento

Vanda Scartezini, da ABES, destacou a importância da colaboração entre Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e startups. Com um faturamento de bilhões de dólares em P&D no Brasil, essas instituições buscam parcerias onde cada país apoia seu lado do desenvolvimento, acelerando a inovação mútua.

O mercado canadense não é apenas uma alternativa aos Estados Unidos, mas um hub estratégico de inovação. Com o apoio da ABES e dos consulados, as empresas brasileiras encontram um caminho estruturado para transformar a criatividade nacional em sucesso global.

Assista a live na íntegra: https://www.youtube.com/channel/UCljjWKQhnijL65nQJ52D6Bg?view_as=subscriber

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