
O cenário global da Inteligência Artificial (IA) foi o ponto central de um fórum de alto nível realizado em Brasília, no dia 20 de maio, reunindo governos, empresas, think tanks e instituições acadêmicas dos países do BRICS. Sob a presidência brasileira, o evento buscou traçar caminhos para um ecossistema de IA mais equitativo, inclusivo e legítimo, priorizando o desenvolvimento e a justiça para o Sul Global. A ABES marcou presença na mesa redonda sobre Desenvolvimento e Aplicação de Tecnologia de IA nos Países BRICS, representada por Marcelo Almeida, diretor de Relações Governamentais.
O Fórum foi sediado pelos Ministérios brasileiros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; do Empreendedorismo e da Pequena e Média Empresa; da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Também é sediado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da República Popular da China e coorganizado pelo Centro de Desenvolvimento e Cooperação em Inteligência Artificial China-BRICS e abordou temas relevantes como a Economia de Dados para o Desenvolvimento Industrial da IA, Cooperação Internacional e Capacitação em Ciência, Tecnologia e Inovação para IA, e a IA no Empoderamento da Transformação Digital da Indústria.
A voz das PMEs brasileiras
Marcelo Almeida, da ABES, trouxe à tona a perspectiva das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras no contexto da IA. “Temos mais de 2.000 associados e, aproximadamente, 80% deles são pequenos e médios empreendedores brasileiros. Isso nos traz uma preocupação bastante especial”, destacou Almeida. Ele enfatizou a necessidade de um olhar dedicado para a inclusão dessas empresas no mercado de inteligência artificial, garantindo que possam competir em igualdade de condições.

Almeida ressaltou os três pilares de atuação da ABES, que se conectam diretamente com os desafios da IA. O primeiro é a geração de mão de obra qualificada. “Precisamos gerar mão de obra para que a gente possa ter qualificações adequadas para dar vazão às necessidades tecnológicas que se avizinham no âmbito de todos os países dos BRICS”, afirmou.
O segundo pilar abordado foi o tributário. Para Almeida, a questão tributária é decisiva para a diminuição dos custos de transação e para um ambiente de negócios favorável, especialmente no Brasil. “É muito importante que o potencial de desenvolvimento tecnológico que o Brasil tem seja levado em consideração não só pelo governo brasileiro, mas pelo parlamento brasileiro e pelos nossos parceiros, para que a gente possa alocar aqui esforços necessários para que a gente tenha a segurança tributária desejada”, pontuou, citando a atual reforma tributária no país.
Regulação e Riscos: Um Olhar Necessário
Por fim, o diretor de Relações Governamentais da ABES enfatizou a importância da regulamentação da IA, um tema que atualmente está em debate no parlamento brasileiro. Almeida alertou para o risco de uma regulamentação inadequada inviabilizar o desenvolvimento da inteligência artificial brasileira. “É muito fácil a gente fazer ligações de inteligência, uso de inteligência artificial, por exemplo, com atividades criminosas. Isso não é bom para o nosso ambiente regulatório”, disse.
A preocupação central, segundo Almeida, é o aumento do custo de transação que regulamentações excessivamente rígidas podem gerar, impactando diretamente os pequenos e médios empreendedores. “A ABES tem o propósito de fazer com que o Brasil seja mais digital e menos desigual. Se superarmos as desigualdades, tanto regulatórias, quanto tributárias, quanto da geração de mão de obra, a gente consegue criar um ambiente muito profícuo para o desenvolvimento tecnológico, não só no Brasil, mas eu acho que também no âmbito de todos os países dos BRICS”, concluiu.
A participação da ABES no fórum reforça o compromisso da entidade em contribuir para a construção de um futuro da IA que seja inovador, justo e benéfico para todos, especialmente para o ecossistema de tecnologia brasileiro.
Assista o fórum na íntegra aqui.













