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A ABES promoveu um encontro estratégico voltado ao diálogo qualificado sobre o panorama macroeconômico global e nacional nesta quarta-feira (15/04), no Wyndham Ibirapuera, em São Paulo (SP). A abertura do evento foi realizada por Andriei Gutierrez, presidente da ABES, que reforçou a importância do entendimento do contexto econômico para o fortalecimento do setor de tecnologia no país.

O evento contou com a exposição técnica de Rodolfo Margato, sócio e vice-presidente de pesquisa econômica da XP Inc. Em uma análise profunda sobre o momento atual, Margato detalhou como o Brasil tem conseguido navegar em meio às tensões geopolíticas internacionais, posicionando-se de forma resiliente frente a outros mercados emergentes.

O Brasil no cenário global

Um dos pontos iniciais da discussão foi o impacto dos conflitos internacionais nos preços das commodities. Segundo Margato, embora a guerra seja inerentemente negativa sob os aspectos humano e social, o Brasil apresenta uma vantagem competitiva geográfica e comercial no curto prazo.

“O Brasil é visto como um desses ‘vencedores relativos’. Primeiro porque a gente está distante, geograficamente, da guerra. E mais importante do que isso, desde 2025, o petróleo bruto é o principal item da nossa pauta exportadora. Isso puxa muito a balança comercial e gera uma valorização de termos de troca que ajuda a segurar o câmbio abaixo de R$ 5,00”, afirmou o economista. 

O desafio fiscal e o futuro

Apesar do otimismo com o saldo da balança comercial e o crescimento do PIB — que tem surpreendido positivamente nos últimos anos —, Margato alertou para o “calcanhar de Aquiles” da economia brasileira: a questão fiscal. O especialista destacou que, sem um ajuste estrutural na dívida pública, o país terá dificuldades em manter a inflação e os juros em patamares baixos a longo prazo.

“Se a dívida pública não tiver uma perspectiva de estabilização em relação ao PIB, difícil imaginar a inflação na meta de 3% ou a Selic consistentemente abaixo de 10%. É o nosso grande calcanhar de Aquiles. Não tem ainda um grande freio de arrumação por esse lado”, pontuou Margato durante sua fala aos associados. 

Expectativas para o setor de software

O debate também abordou a resiliência do mercado de trabalho e o aquecimento do mercado de capitais. Para o palestrante, o momento exige cautela e planejamento, já que os ventos favoráveis do cenário externo podem não ser permanentes.

“A gente não pode contar todo ano com esses ventos favoráveis do lado global. No curto prazo, 2026 é melhor do que o projetado um ano antes, mas temos um encontro marcado, a partir de 2027, com uma agenda de ajustes. O fiscalismo não vem do Congresso, pois os parlamentares sempre buscam mais recursos para suas regiões. O ajuste tem partido do Poder Executivo, que precisa dar o comando e implementar as medidas corretas”, concluiu.

O evento representa o compromisso da ABES em prover análises estratégicas para que suas associadas naveguem com segurança no complexo ambiente de negócios brasileiro e das incertezas geopolíticas.

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