*Por Angela Capellari
Março chegou com sua força habitual. O Mês da Mulher abre espaço para conversas que merecem acontecer durante os doze meses do ano — e uma delas é sobre o que significa, de fato, liderar em tecnologia.
Não falo de liderança como conceito abstrato. Falo de decisões tomadas sob pressão, de equipes que precisam entregar resultados concretos, de responsabilidade por infraestruturas digitais que sustentam empresas, governos e cidadãos.
O Brasil avança. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, as mulheres representam entre 20% e 25% da força de trabalho em tecnologia no país — número que cresce consistentemente, especialmente em posições de gestão, inovação e governança. Ainda há espaço para evoluir. Mas o movimento é real, e seus efeitos são práticos.
Na Bry, empresa especializada em confiança digital, vivo isso de perto. Nossa atuação envolve assinatura digital, certificação, biometria e carimbo do tempo — soluções que exigem precisão técnica, visão de risco e compromisso com a integridade das transações. Construir esse tipo de solução exige diversidade de perspectivas. Não porque é politicamente correto, mas porque funciona melhor.
O que aprendi ao longo da minha trajetória é que ambientes de alta performance não perguntam quem você é antes de avaliar o que você entrega. E é exatamente esse o ambiente que acredito ser necessário construir — onde profissionais são cobrados e reconhecidos pelos seus resultados, independentemente de qualquer outro marcador.
Reconhecer isso não significa ignorar que o caminho até aqui foi — e ainda é — desigual. Existem barreiras reais, algumas explícitas, outras sutis demais para aparecer em estatísticas. O Mês da Mulher existe porque ainda há muito a nomear, a corrigir e a celebrar. E celebrar conquistas genuínas faz parte de construir referências para quem vem depois.
O que acredito, é que o avanço mais duradouro acontece quando organizações criam ambientes onde o critério de avaliação é a entrega — e onde esse critério se aplica a todos, sem exceção. Não como forma de ignorar diferenças, mas como forma de superá-las de verdade. Quando o padrão é a competência, o espaço se abre naturalmente para quem a tem — e isso inclui muita gente que historicamente ficou de fora.
A tecnologia que construímos hoje vai moldar relações, transações e níveis de confiança por décadas. Precisamos que as melhores mentes estejam à frente dessas decisões. E as melhores mentes não têm gênero, origem ou cor predefinidos — têm comprometimento, visão e capacidade de entrega.
Mas antes de falar em liderança, em mercado, em transformação digital — preciso dizer o que realmente importa neste mês.
Vivemos um momento em que os noticiários trazem, quase todos os dias, histórias que nos partem. Violência que não deveria existir em nenhuma forma, em nenhum lugar. E diante disso, falar só de carreira e representatividade parece insuficiente.
O que eu desejo, de verdade, é que nós mulheres possamos estar onde quisermos — em uma reunião de diretoria, em uma rua de madrugada, em casa, no trabalho, na vida que escolhemos. Com segurança. Com respeito. Sem precisar provar nada a ninguém para merecer esse direito.
Que a tecnologia que construímos todos os dias seja também reflexo de um mundo mais justo. E que março nos lembre, com força, do quanto ainda precisamos caminhar — juntos.
*Angela Capellari, Diretora Geral da Bry
Aviso: A opinião apresentada neste artigo é de responsabilidade de seu autor e não da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software













