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Setor alcança US$ 67,8 bilhões em 2025, mantém 10ª posição mundial e amplia participação regional; cresceu 18,5% no ano passado e projeção para 2026 indica crescimento de 5,3%, refletindo nova fase de maturidade do mercado

São Paulo, 1° de abril de 2026 — A ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software, que tem como propósito a construção de um Brasil mais digital e menos desigual, apresentou em uma live aberta ao público em seu canal no YouTube o Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026. De acordo com dados da International Data Corporation (IDC) analisados pela ABES, a vigésima segunda edição do estudo – considerada a principal referência para o setor no país –, mostra que o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação (TI) mantém trajetória de crescimento, mas entra em uma nova fase, marcada pela consolidação dos investimentos e por uma mudança relevante em relação ao cenário global.

O mercado brasileiro de TI atingiu US$ 67,8 bilhões em 2025, crescimento em relação aos US$ 58,6 bilhões registrados em 2024. Apesar da expansão em volume, a projeção para 2026 é de 5,3%, abaixo do ritmo realizado em 2025 (18,5%) — quando o Brasil cresceu acima da média global (14,1%) — e também inferior à média mundial prevista para o próximo ano (9,7%). Os dados evidenciam uma inflexão importante: após um período de crescimento superior ao do mercado global, o Brasil passa a apresentar um ritmo mais moderado, alinhado a uma fase de maior maturidade do setor.

De acordo com Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo estudo, o setor de TI no Brasil segue em expansão, mas com uma dinâmica diferente. “Saímos de um ciclo de aceleração impulsionado pela digitalização, pela adoção intensiva de nuvem e pelo avanço da inteligência artificial, e entramos agora em uma fase de maior maturidade. Nesse novo momento, o crescimento continua, mas passa a ser orientado por eficiência, escala e governança. As empresas deixam de investir apenas para digitalizar e passam a buscar retorno concreto, integração entre tecnologias e maior racionalização dos custos. É uma transição importante, que marca a evolução do mercado brasileiro para um patamar mais sofisticado e sustentável”, afirma.

Brasil mantém relevância global e amplia liderança regional

O Brasil manteve a 10ª posição no ranking mundial de investimentos em TI, consolidando-se como o principal mercado emergente do setor. Na América Latina, o país ampliou sua liderança, passando de 34,7% para 38,4% de participação nos investimentos regionais, reforçando seu papel como principal polo tecnológico da região. “Mesmo em um cenário mais desafiador para 2026, o Brasil continua sendo o motor do mercado de TI na América Latina. O aumento da participação regional demonstra a resiliência do setor e a continuidade dos investimentos estratégicos no país”, destaca Fabio Martinelli, Senior Analyst Enterprise da IDC LATAM.

IA deixa de ser tendência e se torna infraestrutura

Se em 2025 a inteligência artificial — especialmente a IA generativa — foi o principal vetor de crescimento, em 2026 a tecnologia se consolida como base estrutural das operações digitais. O foco das empresas passa a ser a integração da IA aos processos de negócio, com impacto direto na eficiência operacional e na tomada de decisão.

A demanda por infraestrutura segue impulsionada pela necessidade de suportar aplicações de IA, com continuidade dos investimentos em cloud, data centers e redes de alta capacidade. Ao mesmo tempo, ganha força a adoção de modelos baseados em outsourcing, serviços gerenciados e ambientes híbridos, refletindo a busca por maior flexibilidade e otimização de custos.

A segurança cibernética, que já era prioridade para 36% das empresas brasileiras em 2025, se consolida como um dos principais pilares estratégicos em 2026. O avanço de arquiteturas como Zero Trust e o uso de IA aplicada à segurança indicam uma mudança de abordagem: de proteção reativa para gestão contínua de riscos. “O ambiente digital está mais complexo e interconectado. Por isso, segurança deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ser um tema de governança e continuidade de negócio”, afirma Sukarie.

O estudo também aponta que o mercado brasileiro de TI ainda possui forte concentração em hardware, que representa 47,9% dos investimentos, seguido por software (32,1%) e serviços (20%). “O peso ainda elevado de hardware no Brasil reflete um estágio de desenvolvimento do mercado, em que a expansão da infraestrutura continua sendo fundamental. Ao mesmo tempo, esse cenário revela uma oportunidade clara de evolução. À medida que avançamos na digitalização, a tendência é que software e serviços ganhem mais relevância, impulsionados por modelos em nuvem, inteligência artificial e serviços gerenciados. É esse movimento que vai aproximar o Brasil dos mercados mais maduros e ampliar a geração de valor no setor”, explica Jorge Sukarie Neto.

Nova fase combina crescimento com maior disciplina de investimento

O estudo da ABES em parceria com a IDC indica que o setor de TI no Brasil mantém sua trajetória de crescimento, mas entra em uma nova etapa de desenvolvimento. Após um período marcado pela aceleração da transformação digital e pela expansão dos investimentos em infraestrutura e inovação, o mercado passa agora a operar sob uma lógica de maior maturidade, em que a prioridade deixa de ser apenas crescer e passa a ser crescer com eficiência, integração e geração de valor.

Nesse contexto, os investimentos tornam-se mais seletivos e orientados a resultados concretos, com foco em produtividade, otimização de custos e impacto direto no negócio. A tecnologia deixa de ser apenas um vetor de modernização e assume um papel central na estratégia corporativa, conectando operações, dados e decisões em escala.

“O crescimento continua, mas com uma mudança clara de abordagem. Entramos em um ciclo em que não basta investir — é preciso extrair valor. A agenda do setor passa a ser transformar tecnologia em eficiência operacional, inovação em resultado mensurável e digitalização em vantagem competitiva sustentável. Esse é o movimento que define a próxima fase do mercado brasileiro de TI, que na prática terá IA, cloud e serviços definindo o próximo ciclo de valor”, conclui Sukarie.

Baixe o PDF do estudo ou acesse o painel interativo de dados aqui: https://abes.org.br/dados-do-setor/.

Sobre a ABES

A ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) tem como propósito contribuir para a construção de um Brasil mais digital e menos desigual, no qual a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades para todos. Nesse sentido, tem como objetivo assegurar um ambiente de negócios propício à inovação, ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente, sempre alinhado à sua missão de conectar, orientar, proteger e desenvolver o mercado brasileiro da tecnologia da informação.

Atualmente, a ABES representa cerca de 2.000 empresas, que totalizam aproximadamente 80% do faturamento do setor de software e serviços no Brasil, distribuídas em todo o território nacional, responsáveis pela geração de mais de 260 mil empregos diretos. De acordo com dados da IDC analisados pela ABES, o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação movimentou US$ 67,8 bilhões em 2025, mantendo o país na 10ª posição no ranking global de investimentos em TI e como líder na América Latina, com 38,4% de participação regional. Acesse o Portal ABES ou ligue para +55 (11) 5094-3100.

 

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