O fortalecimento da economia digital brasileira e a consolidação de uma governança robusta para o setor foram os temas centrais do workshop sobre a Política Nacional de Economia de Dados, realizado no dia 01/04/2026, pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O evento, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), serviu como palco para a divulgação dos resultados da tomada de subsídios que guiará as próximas estratégias do país. Entre os especialistas convidados, Marcelo Almeida, diretor de relações governamentais da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), destacou-se ao apresentar uma visão que une pragmatismo econômico e justiça social.

Em sua fala, Almeida trouxe dados impactantes que reforçam a relevância do setor: “O mercado de software no Brasil cresceu 14% no último ano. Não é pouco; é uma marca expressiva que demonstra nossa resiliência e potencial”, afirmou. Ele lembrou que o Brasil é o quarto país no mundo em acesso à internet via celular e lidera o desenvolvimento tecnológico na América Latina, fatores que, segundo ele, precisam ser aproveitados para colocar o país em uma posição de destaque global.
O tripé estratégico: soberania, regulação e infraestrutura
O diretor da ABES estruturou sua análise em três pilares fundamentais para a soberania digital:
- Soberania competitiva: Almeida introduziu um conceito inovador de soberania que foge do isolacionismo. Utilizando o exemplo da transferência tecnológica nos caças Gripen, ele defendeu que o Brasil deve cooperar com líderes globais para internalizar conhecimento. “Soberania não é dominar cada elemento da cadeia em solo nacional, mas ter a expertise para fazer a diferença onde somos bons”, explicou.
- Regulação convidativa: crítico da “complexidade regulatória” que gera insegurança jurídica, o diretor defendeu que as regras brasileiras precisam deixar de ser meramente repressoras para se tornarem um convite ao desenvolvimento e que encontre o equilíbrio que proteja o cidadão sem asfixiar a inovação.
Infraestrutura e dados Públicos: O executivo enfatizou a necessidade de uma política nacional centralizada e empoderada, apontando empresas como Serpro e Dataprev como peças-chave. Segundo Almeida, a integração de dados de diferentes programas, como os do Bolsa Família, pode revolucionar a eficiência das políticas públicas, permitindo alocações de recursos muito mais precisas e baseadas na realidade geográfica e social. “Construir política pública é muito complexo. Mas as diretrizes estão dadas. Talvez seja o caso de a gente juntar as pontas certas para que possamos fazer as alocações da forma correta e gerar as induções para que verdadeiramente aquilo que planejamos saia do papel num curto prazo de tempo”, concluiu.

Um propósito além da tecnologia
Ao encerrar sua participação no evento transmitido pelo YouTube, Marcelo Almeida reforçou o compromisso da ABES, que conta com mais de 2.000 associados. Ele destacou que o objetivo final da tecnologia deve ser humano: “Nosso propósito é fazer com que o Brasil seja mais digital e menos desigual”. Para a entidade, a Política Nacional de Economia de Dados é a ferramenta relevante que vai contribuir para transformar o potencial tecnológico brasileiro em uma realidade que reduza as mazelas históricas do país, promovendo uma inclusão digital que gere, efetivamente, distribuição de riqueza e bem-estar social.
Para assistir a participação do Marcelo, acesse: https://youtu.be/VRMNKu3GnwE
Para assistir ao workshop na íntegra, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=9OrYeR3fQy0













