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O varejo brasileiro atravessa um momento de transformação drástica que vai além de uma simples oscilação de consumo. De acordo com Mauricio Weissberg, CEO da TH-G&B Tecnologia, o setor enfrenta uma “crise de identidade e de base”. Enquanto gigantes como Americanas e Carrefour fecham unidades e players internacionais deixam o país, Weissberg aponta para um descompasso estrutural entre o sistema educacional, dados oficiais e a realidade das ruas. 

A miopia dos dados e a crise educacional

Em análise sobre o cenário macroeconômico, Weissberg alerta para a periculosidade de basear estratégias de negócios em estatísticas que não refletem o “chão de loja”. Para o executivo, há uma distorção que maquia a erosão do poder de compra e o desemprego estrutural. “O aparelhamento político de instituições como o IBGE tem gerado distorções estatísticas que maquiam a erosão do poder de compra e o desemprego estrutural. Mas o dado que nenhuma planilha oficial consegue esconder é o da evasão escolar e do analfabetismo funcional”, avalia.

“Nossas escolas tornaram-se fábricas de iletrados”, afirma o CEO. “Entregamos ao mercado de trabalho jovens sem o domínio básico de lógica, sem qualquer preparo para a vida prática e, crucialmente, com zero educação financeira”. Segundo ele, essa carência de qualificação cria um ciclo de pobreza e inadimplência que asfixia o comércio físico, hoje também vítima do fenômeno de showrooming — quando o cliente usa a loja física apenas para testar produtos que comprará online em marketplaces estrangeiros.

PIC Money: a resposta phygital

Para romper este ciclo, Mauricio Weissberg defende que não basta apenas digitalizar processos, mas sim gamificar a existência econômica do cidadão. É neste contexto que surge o PIC Money, uma contramedida tecnológica estruturada em três pilares disruptivos descritos pelo executivo:

  • Gamificação profunda (Treasure Hunting): “Não entregamos ‘descontos’, entregamos conquistas. Através de Realidade Aumentada e Georreferenciamento, transformamos o deslocamento urbano em uma jornada lúdica. O sinal sonoro e o baú 3D que se abre no PDV resgatam a dopamina da caça, convertendo o passante em player e o player em cliente fiel. É o Pokémon Go aplicado à economia real”.
  • ESG Real: o combate à evasão escolar: “Ocupamos o vácuo deixado pelo Estado. Nosso modelo vincula a circulação de cupons e benefícios a perímetros escolares e centros culturais. Criamos um incentivo pecuniário e de acesso que torna a permanência na escola vantajosa no ‘curto prazo’ para o jovem, combatendo a evasão com a única linguagem que o sistema entende: a da oportunidade real”.
  • Inclusão Financeira e a “Mesada Alavancada”: “Aqui está o nosso maior diferencial. Criamos um Cadastro Positivo de Jovens Investidores. Através de pílulas diárias de conhecimento e do mercado de valores, o jovem aprende a investir enquanto consome. Introduzimos o conceito da Mesada Alavancada: um ecossistema onde pais e filhos interagem no mesmo jogo financeiro. Isso não apenas cria um lastro financeiro para o futuro do jovem, mas restaura o vínculo familiar, aproximando gerações através de um objetivo comum de prosperidade”.

“O PIC Money não é apenas uma plataforma de cupons; é um protocolo de retomada urbana e educacional”, conclui Weissberg. “Estamos criando a próxima geração de consumidores conscientes e investidores capacitados, enquanto devolvemos ao lojista o seu bem mais precioso: o cliente dentro da loja.”

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