*Por Carlos Francisco Tatara
Desde a entrada em vigor da LGPD, o debate sobre dados deixou de ser apenas jurídico. A privacidade passou a ocupar o mesmo nível de importância que temas como governança, risco e continuidade operacional.
Empresas que tratam a proteção de dados apenas como checklist regulatório tendem a reagir de forma defensiva. Já as organizações mais maduras entenderam que privacidade bem estruturada:
- Fortalece a confiança entre empresas, clientes e governo;
- Reduz riscos operacionais e reputacionais;
- Cria bases sólidas para inovação sustentável;
- Viabiliza novos modelos de negócio digitais.
Privacidade, nesse contexto, não limita a transformação digital. Ela viabiliza!
Confiança como base da economia digital
Nenhuma relação digital se sustenta sem confiança. Assinaturas, autenticações, transações, comunicações oficiais e troca de informações sensíveis dependem de um princípio simples: as partes precisam confiar no ambiente digital onde operam.
A privacidade de dados atua como elo entre tecnologia e confiança. Quando identidades são bem geridas, acessos são controlados, informações são protegidas e registros são íntegros, a experiência digital se torna previsível, segura e auditável.
Esse é um dos motivos pelos quais a privacidade deixou de ser tema exclusivo das áreas jurídicas ou de segurança da informação. Ela passou a fazer parte da estratégia de negócios e da governança corporativa digital.
Maturidade regulatória e competitividade
O Brasil avançou significativamente em sua base regulatória. A LGPD colocou o país em sintonia com padrões internacionais e estabeleceu diretrizes claras sobre responsabilidade, transparência e direitos dos titulares.
Esse movimento tem efeito direto na competitividade do ecossistema digital brasileiro. Empresas que incorporam a privacidade desde a concepção de seus sistemas, produtos e processos ganham agilidade para operar em mercados mais exigentes, firmar parcerias estratégicas e escalar soluções com menor risco.
Privacidade, portanto, não é freio. É infraestrutura de crescimento.
O papel da tecnologia na privacidade por design
Nenhuma política se sustenta sem tecnologia adequada. É ela que transforma princípios regulatórios em práticas reais e escaláveis.
Soluções voltadas à:
- Identidade digital confiável
- Gestão de chaves e certificados criptográficos
- Autenticação forte
- Comunicações eletrônicas seguras
- Notificações com validade jurídica
- Integridade e rastreabilidade de registros
atuam como verdadeiros habilitadores da privacidade por design e by default. Elas permitem que organizações protejam dados pessoais sem comprometer eficiência, experiência do usuário ou inovação.
Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser apenas ferramenta operacional e passa a ser pilar de conformidade, segurança e confiança.
Privacidade como visão de futuro
Em um ambiente onde dados se tornam cada vez mais valiosos, a forma como eles são protegidos define o nível de maturidade digital de uma organização, e, em escala maior, de um país.
A privacidade de dados, quando tratada de maneira estratégica, cria um círculo virtuoso: mais confiança gera mais adoção digital, que gera mais inovação, que exige ainda mais responsabilidade e governança.
Celebrar o Data Privacy Day, 28.01, é reforçar esse compromisso coletivo com um futuro digital mais seguro, transparente e sustentável.
A privacidade de dados não é um tema isolado. Ela conecta regulação, tecnologia, confiança e estratégia de negócios. É um dos principais fundamentos da transformação digital segura no Brasil.
Organizações que entendem isso não apenas cumprem a lei. Elas constroem relações digitais mais sólidas, fortalecem sua reputação e se posicionam melhor para o futuro da economia digital.
*Carlos Francisco Tatara, CTO da Bry
Aviso: A opinião apresentada neste artigo é de responsabilidade de seu autor e não da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software













