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Ferramenta desenvolvida pela startup Direito Ágil registrou uma solicitação a cada duas horas no estado, consolidando-se como canal vital para mulheres em territórios periféricos.

Maria da Penha Virtual, ferramenta viabilizada pela startup Direito Ágil que contou com apoio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e da Paraíba (TJPB), encerrou 2025 com um marco significativo na luta contra a violência doméstica. No estado do Rio, foram registrados 4.014 pedidos de medidas protetivas ao longo do ano — uma média de 11 solicitações por dia ou um pedido a cada duas horas.

O volume representa um crescimento de 7,8% em relação a 2024, quando foram contabilizados 3.723 pedidos. O aumento não apenas reflete, infelizmente, a escalada da violência, mas indica uma maior confiança das vítimas no canal digital, que permite o acesso direto ao Judiciário sem a necessidade de deslocamento a uma delegacia ou registro prévio de boletim de ocorrência.

O “Efeito Dezembro” e a geografia da violência

Os dados revelam um cenário de alerta para o fim do ano. Dezembro foi o mês com o maior número de ocorrências, somando 523 pedidos. O pico confirma uma tendência histórica: o aumento da convivência familiar durante o recesso e as festas, somado à redução de serviços presenciais, torna o lar um ambiente de maior risco.

A tecnologia tem sido determinante para democratizar o acesso à Justiça, especialmente em áreas vulneráveis. Os juizados com maior volume de solicitações foram Leopoldina (que abrange os Complexos da Maré e do Alemão), Nova Iguaçu e Bangu.

Segundo os desenvolvedores, esses dados evidenciam que o Maria da Penha Virtual é majoritariamente utilizado por mulheres de territórios periféricos, rompendo barreiras geográficas e institucionais que historicamente impediam a busca por proteção. 

SOBRE A DIREITO ÁGIL: da universidade para a gestão pública inteligente

A startup responsável pelo Maria da Penha Virtual nasceu dentro da academia (UFRJ e UNIRIO) e evoluiu para se tornar uma referência em GovTech voltada aos direitos humanos. A iniciativa nasceu da urgência. Durante o início da pandemia de Covid-19, um grupo de estudantes das universidades notou o aumento da violência doméstica e a dificuldade de acesso aos meios tradicionais. A solução foi criar um web app que concretizasse um direito previsto na Lei Maria da Penha desde 2006, mas pouco aplicado: o pedido de proteção sem intermediários.

“A motivação veio da urgência em combater a subnotificação, já que muitas mulheres, por medo ou burocracia, não procuram a polícia. Com a tecnologia como ferramenta para concretizar direitos, criamos o Maria da Penha Virtual”, explica Rafael Wanderley, fundador do projeto.

  • Evolução: Com o apoio do BNDES Garagem e Sebrae, a startup expandiu sua atuação criando a plataforma ElaProtegida. A solução oferece gestão integrada para municípios, substituindo fichas de papel por um sistema que inclui geolocalização, cálculo automatizado de risco e chat de orientação. O ElaProtegida é uma plataforma SaaS que integra acolhimento, denúncia segura e gestão inteligente dos casos de violência contra mulheres.
  • Investimentos: A empresa atraiu aportes da Shell (via programa internacional de aceleração) e apoio da Prefeitura de Niterói. No setor privado, conta com parcerias de marcas como a Mary Kay.
  • Reconhecimento: A tecnologia da Direito Ágil já foi laureada com o Prêmio CNJ Viviane Vieira do Amaral e recebeu menção honrosa no prestigiado Prêmio Innovare.
  • Em setembro de 2025, a Direito Ágil foi selecionada para o Pitch Challenge ABES CSC 2025, categoria GovTech.

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