– Estudo ouviu gestores de bibliotecas de instituições de ensino superior e identificou que 98,5% das escolas médicas já utilizam pelo menos uma plataforma de suporte à decisão clínica

Em meio às transformações digitais que ocorrem na área da saúde, os cursos de medicina também acompanham essa tendência, incorporando cada vez mais as tecnologias que são utilizadas no dia a dia dos médicos e profissionais da área à rotina dos universitários. É o que revela a nova pesquisa “O papel das bibliotecas na formação médica em tempos de saúde digital”, produzida pela Wolters Kluwer Health, que traz um panorama inédito sobre como as bibliotecas universitárias apoiam esse processo.
O estudo, que ouviu gestores de bibliotecas de 66 instituições públicas e privadas, em todo o Brasil, que contam com o curso de medicina, revela a relevância desses espaços na consolidação da Medicina Baseada em Evidências (MBE) e os desafios para ampliar o uso das ferramentas digitais disponíveis.
A pesquisa identificou que 98,5% das escolas de medicina entrevistadas já utilizam pelo menos uma plataforma de conhecimento clínico para dar suporte às decisões, com destaque para o UpToDate®, apontado por 81,8% das instituições como a solução mais relevante. O acesso remoto se consolidou como prática majoritária em 83,3% das universidades, permitindo consulta integral às bases digitais fora do ambiente físico. Quanto aos periódicos, 81,8% das bibliotecas mantêm conteúdos digitais com acesso remoto e 78,8% oferecem acesso aberto, ampliando a diversidade de fontes disponíveis.
Apesar desses avanços, o uso pleno ainda é limitado. Embora 74% das instituições indiquem acesso diário às plataformas pelos estudantes, 60,6% dos gestores avaliam que os recursos permanecem subutilizados. Questões como a ausência de treinamentos regulares, presente em um terço das instituições, e a centralização de decisões de aquisição fora das bibliotecas foram apontadas como barreiras recorrentes. Em 73% das universidades, os bibliotecários participam das decisões em conjunto com coordenações, mas apenas 15% têm autonomia total na escolha de conteúdos.
De acordo com a Head de Estratégia para Mercados Internacionais da Wolters Kluwer Health, Natália Cabrini, os resultados reforçam o papel estratégico desses espaços. “As bibliotecas universitárias são fundamentais para a formação médica baseada em evidências e precisam ser fortalecidas para que os estudantes tenham acesso qualificado às informações que vão embasar sua futura prática clínica”, afirma.
Estrutura das bibliotecas e perfil dos estudantes
As bibliotecas dedicadas ao curso de medicina ainda variam em estrutura e acervo. O levantamento mostra que 39,4% das instituições contam com bibliotecas exclusivas para medicina, 28,8% possuem seções específicas e 31,8% compartilham espaços com outros cursos. Quanto ao acervo, 27,3% das instituições mantêm mais de 10 mil itens voltados à medicina, 28,8% possuem entre 5 e 10 mil, enquanto 43,9% contam com coleções de até 5 mil materiais.
Os estudantes também apresentam perfis distintos em relação ao uso das tecnologias. Para 51,5% das bibliotecas, o conhecimento tecnológico é considerado mediano e para 47% é classificado como alto. Para proporcionar avanço nesse processo, treinamentos regulares são oferecidos em 67% das instituições.
Para Natália, o fortalecimento da formação médica exige investimento contínuo em estrutura e capacitação. “Instituições que oferecem acesso remoto irrestrito, mantêm bibliotecas exclusivas e realizam treinamentos regulares alcançam índices mais consistentes de engajamento dos estudantes com os conteúdos digitais”, explica.
Outro ponto destacado é a valorização dos profissionais da informação, responsáveis pela curadoria e atualização dos acervos. “Reconhecer o papel estratégico do bibliotecário e integrá-lo ao processo pedagógico é fundamental para garantir que o conhecimento científico esteja sempre acessível e atualizado”, complementa a executiva.
A pesquisa, concluída em 2025, foi realizada por meio de questionário online com 22 perguntas distribuídas em sete blocos temáticos. A amostra contemplou instituições públicas e privadas de todas as regiões do país, de diferentes portes e modelos de gestão.
A pesquisa completa pode ser acessada clicando aqui.
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