*Por Jay Snyder
A Inteligência Artificial (IA) não está substituindo as pessoas; ela testa o quanto estamos preparados para capacitá-las. O verdadeiro risco não é a automação, mas deixar talentos para trás sem as competências necessárias para prosperar em um mundo impulsionado pela IA. Embora 90% dos líderes globais de tecnologia estejam investindo em Inteligência Artificial, segundo pesquisa da Nash Squared/Harvey Nash, a infraestrutura por si só não transformará um negócio. A tecnologia sem talento é apenas um potencial à espera de ser desbloqueado.
Pessoas antes de plataformas, essa é uma nova filosofia de crescimento. Muitas vezes, os investimentos em IA começam com plataformas e modelos, enquanto os aportes em pessoas são tratados como opcionais, adiados para “mais tarde”. Mas o “mais tarde” raramente chega. Quando as empresas automatizam sem viabilizar o crescimento, elas criam algo ineficaz: economia de custos de curto prazo às custas da inovação e do engajamento.
Colocar as pessoas no centro dos investimentos em tecnologia não é algo opcional. É uma estratégia de crescimento. As empresas que priorizam o talento promovem a curiosidade, a flexibilidade e a resiliência. Elas fornecem aos funcionários oportunidades de aprender, experimentar e usar a IA como uma ferramenta para resolver problemas, e não como um substituto para o discernimento humano. A tecnologia sempre evoluirá, mas as empresas que investem em suas equipes permanecerão à frente.
Revertendo a dinâmica de talentos e parceiros
Hoje em dia, a vantagem competitiva está tão relacionada com a colaboração quanto com a inovação. Um ecossistema de parceiros forte acelera a transformação ao impulsionar avanços na nuvem, no desempenho de aplicações e em insights baseados em IA.
Tradicionalmente, as empresas de tecnologia buscam parceiros por sua expertise e alcance de mercado. Inverta essa narrativa. Quando você investe em sua força de trabalho, cria um ambiente que atrai parceiros. Em vez de você bater na porta deles, eles baterão à sua. Isso não acontece da noite para o dia; é construído por meio do compartilhamento consistente de conhecimento, empoderamento e confiança. Cultura e talento se atraem naturalmente, e quando os parceiros veem que sua equipe é tão forte quanto sua tecnologia, eles querem participar desse ambiente.
Liderança que transcende às métricas
As salas de Conselhos de Administração se concentram em receita, crescimento e margens, mas a verdadeira liderança consiste em construir organizações duradouras. Visão, empatia e compromisso com o desenvolvimento das pessoas não devem ser sacrificados por ganhos de curto prazo.
A mentoria é fundamental para o sucesso. Especialmente a mentoria inclusiva, que garante que todos tenham acesso à orientação e crescimento. Ao apoiar talentos diversos, as empresas criam pipelines de liderança mais fortes e representativos. A inovação e a resiliência tornam-se parte do DNA da empresa quando o desenvolvimento de uma liderança inclusiva é priorizado. Sei que não estaria onde estou sem os mentores que me orientaram e, agora, de forma intencional e consciente, retribuo isso à próxima geração, acreditando que ela, por sua vez, fará o mesmo.
Os líderes que pensam apenas no próximo trimestre perdem a chance de ajudar a moldar a próxima geração. Investir em crescimento e mentoria cria um efeito cascata: funcionários engajados, equipes produtivas e organizações que prosperam mesmo em momentos de incerteza.
Ser líder não se resume a atingir números. Começa com pessoas e oportunidades. Mesmo a tecnologia mais avançada não terá resultados se as competências, a cultura e a mentoria forem ignoradas. As empresas que priorizam pessoas constroem parcerias mais fortes, atraem os melhores talentos e desenvolvem líderes capazes de navegar pela imprevisibilidade.
Por isso, pergunte a si mesmo: você está apenas investindo em tecnologia ou também nas pessoas que a tornam significativa?
*Jay Snyder, Vice-Presidente Sênior de Parcerias e Alianças da Dynatrace
Notice: The opinion presented in this article is the responsibility of its author and not of ABES - Brazilian Association of Software Companies













