
Especialistas debatem como a sinergia entre data centers e o setor de energia pode transformar o Brasil em um hub global de tecnologia e soberania de dados
O Brasil está diante de uma oportunidade histórica de redefinir seu papel na economia digital global. Durante a live “Infraestrutura digital como vetor de desenvolvimento nacional: o papel dos data centers e da energia no Brasil”, organizado pela ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), especialistas do setor público e privado convergiram em um ponto central: o futuro da Inteligência Artificial (IA) e da transformação digital no país depende da capacidade do setor elétrico em absorver e planejar a expansão de grandes data centers.
A corrida por processamento e energia
O debate, mediado por Andriei Gutierrez, presidentes da ABES, destacou que a discussão sobre IA em 2023 tem convergido para um debate sobre infraestrutura e, agora, sobre energia. Com a ascensão da IA generativa, a demanda por capacidade de processamento explodiu. Igor Barreto, representante do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), revelou números impressionantes: de 43 solicitações recentes de conexão à rede básica, 38 foram para data centers, totalizando cerca de 7 GW em pedidos. Para se ter uma ideia da magnitude, isso representa quase 95% de toda a nova carga solicitada ao Ministério de Minas e Energia no período.
O desafio do planejamento
Daniel Tavares, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), explicou que o grande desafio do planejador é a antecipação. Enquanto um data center pode ser erguido em menos de dois anos, as obras de transmissão de energia levam, em média, de 5 a 7 anos para serem concluídas. “A informação é o nosso principal insumo. Precisamos entender como o setor se comporta para não expandir demais a rede — o que aumentaria a tarifa para o consumidor — nem de menos, o que inviabilizaria os projetos”, afirmou Tavares [45:03].
O estado de São Paulo concentra a maior parte dessa demanda, especialmente no eixo entre a capital, Campinas e Sumaré, devido à infraestrutura pré-existente de fibra óptica. No entanto, o Rio Grande do Sul também surge com projetos ambiciosos que podem, sozinhos, dobrar a carga do estado.
Desmistificando o setor
Carla Cassalha, diretora da DataSpot, trouxe a perspectiva do setor privado e desmistificou pontos críticos. Segundo ela, os data centers não são “vilões” do consumo de água ou energia. Eles utilizam sistemas de resfriamento de circuito fechado e pagam encargos que muitas vezes financiam a própria modernização das subestações locais.
Cassalha ressaltou ainda a importância da Digital Sovereignty: atualmente, cerca de 60% da carga digital brasileira é processada fora do país [54:41]. “O dado nasce aqui, o usuário está aqui, mas o processamento ocorre lá fora. Precisamos ter controle real sobre a informação que geramos”, defendeu.
O caminho para a competitividade
Para que o Brasil possa competir nesse cenário, é necessário avançar em políticas públicas como o Redata. O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo (mais de 90% renovável), o que é um diferencial competitivo único para atrair investimentos verdes. O desafio agora é sincronizar o “tempo da energia” com o “tempo da tecnologia” para que o sistema de transmissão não seja um gargalo, mas sim o trilho para o desenvolvimento nacional.
Assista à live completa no YouTube: https://youtu.be/EW4Vp8gVqT0













